Pesquisador da USP lança livro sobre a castanha-do-pará

A castanha-do-pará (ou castanha do Brasil), conhecida no exterior como Brazil nut tornou-se um dos produtos mais importantes e tradicionais da Amazônia. A amêndoa obtida de sua semente é apreciada nos Estados Unidos e na Inglaterra, sobretudo nas comemorações de final de ano (Natal e Reveillon). Já na primeira metade do século XIX, os ingleses tentaram promover a domesticação da planta em seus jardins botânicos espalhados pelo mundo. Contudo, ao contrário do que ocorreu com a seringueira, a Bertholletia excelsa (designação científica da castanheira) não mostrou uma boa adaptação fora das condições naturais e ecológicas da floresta amazônica. Coube aos cientistas e agrônomos brasileiros o êxito no processo de domesticação.

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Durante muito tempo existiu o temor que acontecesse com a castanha-do-pará o mesmo que ocorreu com a seringueira, ou seja, que tivesse as suas sementes contrabandeadas para o exterior. O que não se sabia é que as sementes da castanheira já haviam sido levadas para fora antes mesmo da seringueira. Várias tentativas foram feitas pelos ingleses a fim de conseguir a domesticação, com sementes enviadas para a Jamaica, Trinidad e Tobago e, finalmente, para o Real Jardim Botânico de Kew, em Londres, ainda no século XIX. Dos viveiros deste último, as sementes foram enviadas para o Ceilão (atual Sri Lanka), para a Malásia e até para a Austrália. Contudo, a castanheira da Amazônia não mostrou boas condições de adaptação e produção de frutos fora de seu ambiente natural, ou seja, a própria floresta amazônica.

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O livro também descreve as várias tentativas de melhorar o beneficiamento e o aproveitamento do produto a nível interno, algo que apenas recentemente tem sido obtido. Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em função do bloqueio do mercado externo, algumas campanhas foram realizadas para tornar a castanha-do-pará mais conhecida dos brasileiros do sul. Por décadas o município de Marabá, no sudeste do Estado do Pará, foi o grande centro produtor de castanhas até que o desmatamento nos anos de 1980 e 1990 contribuísse para o declínio da produção nessa área. Atualmente, a Bolívia é maior exportador da Brazil nut, que apesar disso, ainda mantém esse nome já consagrado no mercado internacional.

O livro “A castanha-do-pará na Amazônia: entre o extrativismo e a domesticação” será lançado pela editora Paco Editorial no dia 06 de maio, ás 18:30 na Livraria Martins Fontes, na Av. Paulista, 509, em São Paulo.
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2 comentários:

  1. Vou adquirir o livro, adoro castanha do Pará. Compro muito, ela é muito resistente e dura meses. Meu humor fica ótimo quando como castanha, meu suporte de saúde.

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    1. A castanha-do-pará realmente tem muitas propriedades medicinais, além de ser deliciosa. Estamos aguardando pelo livro também, que com certeza trará muitas curiosidades sobre elas.

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