Os incêndios florestais e as aves do cerrado

Todos os anos milhares de hectares do bioma cerrado são atingidos por incêndios florestais. Quando o fogo tem origem antrópica, acaba promovendo a degradação de inúmeras áreas naturais e de toda uma biodiversidade a ela associada. Entretanto, os incêndios florestais de origem natural são capazes de proporcionar a manutenção de diferentes habitats, garantindo a manutenção de diferentes espécies no cerrado.
Cerrado em chamas, Brasília. Foto: Agência Brasil.
Cerrado em chamas, Brasília. Foto: Agência Brasil.
Quando a queimada ocorre de forma natural e esporádica, proveniente de descargas elétricas, o fogo impede que árvores se estabeleçam nos campos naturais, favorecendo o desenvolvimento de capins nativos e da vegetação herbácea. Desta forma, o fogo natural acaba modelando a paisagem do cerrado criando um mosaico de inter-habitats que fornece condições ideais de sobrevivência para inúmeras espécies.

Mineirinho - Charitospiza eucosma - Coal-crested Finch. Foto: Geremias PignatonEmbora não pareça, as aves é um dos grupos mais afetados pela passagem do fogo no cerrado. Algumas espécies de aves são especialistas em áreas queimadas e acabam se beneficiando pela passagem do fogo, encontrando alimento no solo nú e queimado. Tais especialistas englobam o Mineirinho - Charitospiza eucosma (foto ao lado, fotógrafo Geremias Pignaton)  e o raríssimo Bacurau-de-asa-branca (Hidropsalis candicans) que, juntas com as espécies generalistas, como a Ema (Rhea americana) e o Gavião-de-rabo-branco (Geranoaetus albicaudatus) usufruem dos efeitos benéficos do fogo natural no cerrado.

Porém, outras espécies são sensíveis ao fogo e dependem de capinzais altos, bem conservados e protegidos das chamas por um longo período de tempo para se alimentarem e reproduzirem. Como espécies dependentes desse habitat pode se citar o Galito (Alectrurus tricolor), o Papa-mosca-do-campo (Culicivora caudacuta), a Cordorna Mineira (Nothura minor), o Maxalalagá (Micropygia schomburgkii), dentre outras. Geralmente estas espécies acabam fugindo para outras áreas, mas a destruição generalizada e indiscriminada desses habitats pelos incêndios de origem antrópica acaba levando-as a extinção. Desta forma, é imprescindível que o fogo no cerrado ocorra de forma e frequência natural.
Galito - Alectrurus tricolor - Cock-tailed Tyrant espécie típica de capinzais
Galito - espécie típica de capinzais. Foto: Alessandro Abdala
Entretanto, a maioria dos incêndios florestais registrados anualmente no cerrado tem origem antrópica e ocorrem com uma frequência muito acima da natural, afetando diretamente a qualidade dos habitats e a sobrevivência de inúmeras espécies de aves. A alta frequência de queimadas, muitas vezes associada a expansão de monoculturas, reduzem as paisagens naturais a fragmentos, provocam a introdução de capins e gramíneas exóticas que acabam competindo e eliminando as espécies nativas, colocando em perigo a sobrevivência das aves típicas do cerrado.
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